A Stellantis anunciou a implantação de um novo Centro de Expertise em Cibersegurança no Polo Automotivo de Betim, em Minas Gerais. O hub vai atuar de forma global na proteção de veículos conectados, sistemas digitais, operações industriais e infraestrutura de tecnologia da montadora em mais de 130 mercados.
A decisão de sediar a nova estrutura no Brasil está ligada ao avanço do país na adoção de tecnologias digitais. Segundo a Stellantis, o Brasil está entre os mercados mais conectados do mundo e figura entre os líderes globais na adoção de soluções baseadas em inteligência artificial, fatores que pesaram na escolha de Betim como sede do projeto.
O movimento acompanha uma transformação mais ampla na indústria automotiva, na qual software, dados e serviços digitais passaram a ocupar papel cada vez mais central tanto no desenvolvimento de produtos quanto na experiência do cliente. Com isso, a proteção desses ambientes digitais se torna um requisito técnico crítico para qualquer fabricante que opere frotas conectadas em escala global.
Um novo capítulo para a fábrica mineira
O anúncio chega em um momento simbólico para a unidade de Betim, que celebra 50 anos de operação em 2026. Reconhecida há décadas como um dos principais polos de engenharia e manufatura automotiva da América do Sul, a fábrica passa agora a concentrar também competências estratégicas ligadas a cibersegurança, software e novas tecnologias digitais.
De acordo com Fábio de Freitas, vice-presidente de ICT e Inovação Digital da Stellantis para a América do Sul, a criação do centro acompanha uma mudança estrutural em curso na indústria automotiva global. Freitas afirma que, à medida que software e dados ganham espaço no desenvolvimento de produtos, a cibersegurança se torna um elemento necessário para garantir a disponibilidade e a proteção de toda a cadeia de mobilidade.
O novo hub contará com infraestrutura tecnológica dedicada, estrutura operacional especializada e equipes multidisciplinares voltadas a áreas estratégicas de cibersegurança. Entre as atribuições do centro estão a proteção de ambientes industriais, sistemas em nuvem, plataformas digitais, aplicações de inteligência artificial e tecnologias embarcadas nos veículos da companhia.
A escolha por concentrar essas frentes em uma única unidade physical, em vez de distribuí-las entre diferentes países, sinaliza a intenção da Stellantis de tratar a segurança digital como uma capacidade corporativa unificada, e não como um conjunto de iniciativas isoladas por região.
Dezoito vagas abertas em áreas especializadas
Como parte da estruturação do centro, a Stellantis abriu 18 vagas para profissionais seniores e especialistas em diferentes frentes de cibersegurança. As oportunidades cobrem áreas como segurança de tecnologia operacional (OT), segurança em nuvem e SaaS, times de resposta a incidentes (CSIRT e PSIRT), prevenção de perda de dados (DLP), regulação, governança de segurança em inteligência artificial, gestão de identidade e acesso (IAM) e conectividade estendida.
As posições são presenciais em Betim, mas a companhia informou que profissionais de outras regiões do Brasil também poderão participar do processo seletivo, desde que tenham disponibilidade para mudança. Entre os requisitos estão formação superior completa, inglês avançado e experiência em pelo menos uma das áreas técnicas relacionadas à cibersegurança.
A abertura simultânea de vagas em segmentos tão distintos, que vão da segurança de redes industriais à governança de IA, indica que o centro nasce com escopo amplo desde o primeiro momento, e não como um núcleo pequeno que deve crescer aos poucos.
O que muda para o setor
Para o mercado brasileiro de tecnologia, a iniciativa representa a chegada de uma nova frente de demanda por profissionais especializados em segurança de tecnologia operacional, área que tem crescido no país à medida que fabricantes de diferentes setores avançam na convergência entre TI e OT em suas plantas. A escassez de profissionais qualificados nessa especialidade tem sido apontada por empresas de cibersegurança como um dos principais gargalos para a maturidade digital da indústria brasileira.
Para o Polo de Betim, o centro consolida uma mudança de perfil que já vinha em curso, na qual a unidade deixa de ser reconhecida apenas por sua capacidade de engenharia e manufatura para também abrigar funções corporativas de tecnologia com atuação global. Isso reforça a posição do Brasil na estrutura internacional da Stellantis para além da produção de veículos.
A Stellantis não informou um cronograma detalhado para a conclusão da estruturação do centro nem o número total de profissionais que devem compor a equipe quando o hub estiver plenamente operacional. Os candidatos interessados nas vagas abertas podem se inscrever pela página de carreiras da companhia.
