Um investimento de R$ 540 milhões vai modernizar a fábrica que a Nestlé mantém em Araçatuba, no interior paulista, com recursos aplicados de forma gradual até 2028. O aporte, anunciado pela multinacional suíça, prioriza a ampliação da capacidade produtiva e a incorporação de novas tecnologias em uma das unidades mais relevantes da operação brasileira da companhia.
O anúncio integra um ciclo maior de investimentos da Nestlé no país, que soma R$ 7 bilhões entre 2025 e 2028. O valor supera o ciclo anterior, de R$ 6,5 bilhões, e reforça a posição do Brasil como o terceiro maior mercado da companhia no mundo, atrás apenas de Estados Unidos e China, segundo dados divulgados pela própria empresa.
Além de Araçatuba, o pacote contempla obras em outras unidades do país. A fábrica de Purina em Vargeão, em Santa Catarina, entra em operação sob o conceito de indústria 4.0, com robótica e inteligência artificial nos processos. Já as plantas de Vila Velha, no Espírito Santo, de Araras e de Ituiutaba, em Minas Gerais, também recebem aportes voltados à premiunização de categorias e à expansão de linhas de produção.
Controle de qualidade e automação de processos
A unidade de Araçatuba ocupa papel de destaque nesse conjunto. É a maior fábrica da Nestlé no Brasil em receita líquida, resultado da concentração de categorias de alto valor agregado, como fórmulas infantis, nutrição médica e produtos voltados ao envelhecimento saudável. A planta produz atualmente mais de 180 itens do portfólio da companhia, entre eles marcas como Ninho, Mucilon e Nutren, e emprega cerca de 800 colaboradores diretos e aproximadamente 200 indiretos, segundo a empresa.
A produção da fábrica abastece prioritariamente o mercado brasileiro, mas parte do volume também segue para países da América Latina e do Oriente Médio. De acordo com levantamento da Prefeitura de Araçatuba, a unidade é descrita como altamente automatizada e chega a fabricar cerca de 150 mil toneladas de produtos por ano, distribuídas em 175 variedades, com uso de 363 tipos de matérias-primas e 438 modelos de embalagens.
O rigor de controle de qualidade é um dos pontos centrais da operação, sobretudo na produção de fórmulas infantis. Segundo a Nestlé, cada fórmula passa por cerca de 1.200 testes ao longo do processo produtivo, entre análises microbiológicas, químicas, de alérgenos e de embalagens. Cada carga de leite recebida como matéria-prima é submetida a mais de 20 testes antes de entrar na linha de produção, e amostras são coletadas continuamente durante a fabricação para verificar pureza, dosagem de componentes e características como sabor, odor e consistência.
Essa exigência técnica se conecta a um movimento mais amplo de digitalização que a Nestlé Brasil vem promovendo em seu parque fabril. A companhia informou, em levantamento anterior, que já conecta cerca de 300 linhas de produção em 14 fábricas do país a plataformas digitais de monitoramento em tempo real, com meta de alcançar cerca de 90% do parque conectado. Segundo a empresa, essa digitalização ajudou a reduzir em 30% as paradas não planejadas nas linhas de produção entre 2019 e 2023.
A unidade de Araçatuba também soma iniciativas de eficiência ambiental ao pacote de modernização. A fábrica utiliza biometano na geração de ar quente para a secagem de leite em pó, processo que a empresa afirma reduzir em aproximadamente 20% as emissões de gases de efeito estufa nessa etapa da produção.
Em nota, o CEO da Nestlé Brasil, Marcelo Melchior, associou o investimento à confiança da companhia na capacidade técnica da operação nacional. Segundo ele, a área de Nutrição e Saúde representa uma das principais frentes de crescimento da Nestlé globalmente, e o Brasil ocupa posição estratégica nessa expansão, com capacidade comprovada de produzir alimentos de alta complexidade tecnológica dentro dos padrões da matriz.
O plano de modernização também prevê a ampliação do Programa de Visitação Médica mantido pela unidade, criado há mais de dez anos. A expectativa da companhia é que, a partir de 2027, o programa passe a receber mais de 700 profissionais de saúde por ano, entre médicos e nutricionistas, ante os números atuais.
Para o setor de automação industrial, o caso de Araçatuba se soma a um padrão que já aparece em outras plantas da Nestlé no país: o avanço da conectividade de linhas, o uso de dados em tempo real para manutenção preditiva e a integração de sistemas de controle de qualidade automatizados como parte da estratégia de expansão da companhia. O desembolso dos R$ 540 milhões seguirá de forma escalonada até 2028, acompanhando o cronograma do ciclo de investimentos mais amplo da Nestlé no Brasil.
