O SKA Connect 2026 reuniu cerca de 300 participantes presenciais e mais de 3,4 mil inscritos na transmissão online durante o dia 5 de maio, no São Paulo Expo, em São Paulo. O evento, promovido pela empresa de tecnologia SKA, ocorreu em paralelo à abertura da FEIMEC 2026 e concentrou painéis sobre engenharia conectada, manufatura inteligente e aplicações práticas de inteligência artificial na indústria brasileira.
A escolha de coincidir com a abertura da Feira Internacional de Máquinas e Equipamentos não foi acidental. A FEIMEC, realizada bienalmente, é considerada uma das maiores feiras do setor industrial da América Latina. Para a SKA, a sobreposição das duas agendas permitiu que o conteúdo debatido no palco pudesse ser experienciado na prática ao longo dos dias seguintes de feira, no estande da empresa localizado na Rua Principal I-038.
O SKA Connect tem histórico que remonta a 2014. Ao longo de sua trajetória, o evento já reuniu mais de 20 mil inscritos, somou mais de 35 horas de conteúdo exclusivo e contou com a participação de mais de 50 especialistas.
A edição de 2026, segundo a organização, registrou 2.376 visualizações ao longo da transmissão ao vivo, mantendo a audiência online como componente central do modelo do evento.
O contexto em que o encontro ocorreu é marcado por pressão crescente sobre a indústria brasileira para acelerar a digitalização de processos. A digitalização deixou de ser pauta de planejamento estratégico de médio prazo para virar condição de competitividade imediata, e os cases apresentados no evento refletiram exatamente esse estágio de transição.
Engenharia conectada: da integração entre plantas ao protótipo em um dia
O primeiro painel, mediado por Renan Rocha, consultor de negócios da SKA, reuniu representantes da Rossetti, da Xmobots e da Micromar para abordar engenharia conectada, integração de processos e eficiência operacional. Rocha abriu a discussão com um dado de benchmarking: segundo ele, cerca de 90% das empresas que alcançam sucesso em suas jornadas de transformação digital definem com clareza os papéis e responsabilidades das pessoas envolvidas.
A Rossetti, fabricante de implementos rodoviários com mais de 50 anos de operação, apresentou resultados relacionados à integração entre suas unidades industriais em Betim (MG) e Guarulhos (SP). A empresa relatou centralização dos processos de engenharia, ampliação da rastreabilidade e avanços em análises estruturais com o uso do software de simulação SIMULIA Abaqus, além da implementação do SKA MES para gestão da produção. Ronaldo Toledo, gerente de tecnologia da informação da empresa, atribuiu a eficiência industrial atual ao modelo de processos conectados: segundo ele, cada decisão já nasce integrada ao fluxo produtivo.
A Xmobots, fabricante de drones e robótica móvel, apresentou um dos resultados mais concretos do painel. Com a adoção de soluções CAD e tecnologias de manufatura aditiva fornecidas pela SKA, a empresa reduziu o tempo de desenvolvimento de protótipos de 30 a 45 dias para um único dia. Gabriel Porto, diretor de produtos da companhia, caracterizou a engenharia moderna como um fluxo contínuo de dados, decisões e validações em tempo real, em contraste com o modelo sequencial de fases isoladas.
A Micromar, por sua vez, abordou a integração entre engenharia e produção com foco em rastreabilidade e precisão. Representada por Tiago dos Reis Duarte, a empresa destacou o uso de SOLIDWORKS e de impressão 3D industrial como suporte à escalabilidade dos processos, argumentando que a precisão técnica, por si só, deixou de ser diferencial para se tornar pré-requisito competitivo.
Manufatura inteligente e a palestra de Arthur Igreja sobre IA
O segundo painel, conduzido por Adriano Tavares, gerente de negócios da SKA, abordou manufatura inteligente e gestão orientada por dados. Participaram Stara, Tomasoni e Progás e Braesi. A Stara, multinacional gaúcha do setor de máquinas e equipamentos agrícolas sediada em Não-Me-Toque (RS), apresentou resultados de eficiência obtidos com o uso do software de gestão de corte Lantek e do sistema de planejamento avançado APS DELMIA Ortems.
Fábio Vargas, gerente sênior de manufatura da empresa, afirmou que manufatura eficiente e monitoramento em tempo real são inseparáveis, e que a falta de integração entre operação, gestão e dados resulta em perda de produtividade diária que passa despercebida.
A Tomasoni, especializada em equipamentos para a indústria de papelão ondulado, relatou ganhos em rastreabilidade e visibilidade operacional com a plataforma 3DEXPERIENCE, o sistema CAM EDGECAM, o SOLIDWORKS e o SKA MES. Nicolas Brugnolo, gerente de operações industriais da empresa, situou a transformação digital não como tendência, mas como questão de sobrevivência competitiva para os próximos anos. A Progás e Braesi também apresentou resultados de digitalização com uso do SKA MES, SOLIDWORKS e DraftSight, com ênfase na redução do tempo de tomada de decisão no chão de fábrica.
Durante o intervalo entre painéis, a SKA anunciou a ampliação de sua área de manufatura aditiva, estruturada como uma nova frente de serviços voltada a personalização de peças, agilidade produtiva e desenvolvimento de inovação contínua para diferentes segmentos industriais. Soluções de fornecedores como HP, Formlabs, Nikon SLM Solutions e Markforged integraram as demonstrações práticas.
O ponto de maior densidade conceitual do evento foi a palestra de Arthur Igreja, especialista em tecnologia e inovação com passagens por TEDx no Brasil, Europa e Estados Unidos e autor do livro “Conveniência é o Nome do Negócio”.
Igreja é reconhecido nacional e internacionalmente por sua atuação em temas ligados à inovação, com formação pelo programa Master in International Business da Georgetown University. Na palestra, ele abordou produtividade, análise de dados, automação e tomada de decisão orientada por IA.
Para ele, as empresas que tratam a inteligência artificial como um projeto pontual correm o risco de ficar para trás: a IA, segundo o especialista, deve ser tratada como infraestrutura de negócio. Ele também alertou para o risco de vazamento de dados e ressaltou que o uso da tecnologia exige governança, controle e adequação ao contexto de cada organização.
O evento foi encerrado com um bate-papo entre Igreja e Siegfried Koelln, CEO da SKA. Koelln reforçou o papel central dos dados para decisões mais assertivas e avaliou que muitas empresas industriais ainda operam com base em percepções subjetivas, em vez de indicadores concretos. Segundo ele, a adoção de IA permite migrar do que chamou de “achômetro” para um modelo de gestão orientado por evidências.
